De alguma maneira escondida, entre os cigarros e as bebidas, ela pinta os lábios de uma cor viva, cor de fogo, cor de sangue, de uma vida corrida, a escada de corpo caracol leva à um terraço, aqui estou a observar, o som vem dançante pelo ar, até se confunde com o movimento cambaleante do vinho doce em seu copo, do sangue quente em seu corpo, a vista aqui é única, de todo lugar é, mas daqui as pequenas estrelas de prata no céu, encontram as luzes de bronze no chão.
Aquela esfera laranja ao leste anuncia, é hora de ir, meu ninho na praça central me espera frio, solitário, mas meu, forrado de recortes de jornais que li, abandonados pelas ruas, rasguei as notícias que eram de algo sobre uma crise financeira de um pais distante, me importo mais com as crises de caráter das pessoas, por aqui tudo em paz, se em nome da (des)ordem e do progresso desfazem minha morada, bato logo as asas, e de outra vou atrás, reconstruindo cada vez melhor o que me tiraram sem pensar, aqui não há crise, talvez por não haver dinheiro para isso, bem, na verdade dinheiro têm, o problema é quem o têm, mas não me importo, vivo de migalhas, aprendi isso com os porcos, que agora andam sobre duas patas, usam roupas, falam, constroem casas, destroem vidas, aumentam as armas, vou me mudar, sim, talvez para aquela árvore de frutinhas perto de onde vive a menina de lábios cor de fogo, lá ouvi discutirem sobre a crise, gente esperta, não essa crise boba que os porcos criaram e que adoram aumentar, mas sim a crise dos ouvidos, de quem ouve mas se recusa a escutar.
Você não existe, não me aguento de felicidade, não caibo mais nesse quarto, sei lá que palavra usar, talvez seja orgulho ou honra, ter você amigo meu.
ResponderExcluirMe tira o chão.